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Redes LGBTQIA+ enquanto promotoras de saúde

  • Núcleo Piratininga de Comunicação
  • há 3 horas
  • 5 min de leitura

Por Analice Madeira, Pedro Melo, Juliana Rodrigues, Breno Canuto, Alan Sena



Se você faz parte da população LGBTIAPN+, provavelmente já ouviu alguém relatar dificuldades de acesso à saúde. Pode ser um homem gay que busca atendimento sobre PEP e PrEP, mas se sente constrangido, ou uma mulher trans que, ao chegar ao serviço de saúde, não tem seu nome social respeitado. Segundo o LesboCenso, 65% das mulheres lésbicas no Estado do Rio de Janeiro têm medo de falar sobre sua sexualidade em algum atendimento de saúde. Esses relatos demonstram que a LGBTfobia não acontece de maneira individual e isolada.


Michele Seixas, mulher lésbica, moradora do Complexo do Alemão e coordenadora da Política Nacional na Articulação Brasileira de Lésbicas, conta que a Política Nacional de Saúde Integral LGBT começou a ser construída no início dos anos 2000, foi aprovada em 2009 e instituída em 2011. Mas essa política não surgiu de uma decisão isolada do Estado, é resultado de décadas de luta e reivindicação dos movimentos sociais e um desdobramento do programa Brasil sem Homofobia, lançado em 2004, no primeiro governo Lula. Quase 15 anos depois, a política ainda não se consolidou no Estado do Rio de Janeiro como uma política integral e articulada.


Quando falamos de direitos sociais, eles não vêm sem luta. No caso da saúde da população LGBT, a organização coletiva atravessa décadas e continua sendo fundamental. Sem organização coletiva, não é possível conquistar direitos sociais. Os movimentos LGBTIAPN+, seja nos territórios, ou virtualmente, reivindicam condições de vida digna e são também produtores de educação popular, quando fazem rodas de conversa sobre direitos, produzem cartilhas e pesquisam temas que o próprio Estado ignora. Em 2026, ano de eleições para presidente, governadores, senadores e deputados, já perguntamos quais são as políticas de saúde dos candidatos e como eles irão fortalecer o SUS? Onde está a população LGBTIAPN+ nessa agenda? Saúde LGBTIAPN+ é direito, cidadania e participação social. Defender o SUS também é disputar que ele seja efetivamente universal, integral para nós.


Onde buscar acolhimento e atendimento LGBTQIAPN+ no estado do Rio de Janeiro


A população LGBTQIAPN+ conta com serviços públicos e organizações da sociedade civil que oferecem acolhimento, atendimento em saúde, assistência social e orientações sobre direitos em diferentes regiões do estado do Rio de Janeiro. A rede inclui serviços de apoio psicológico e social, orientação jurídica, prevenção de Infecções Sexualmente Transmisíveis (ITSs), atendimento à população trans e acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade.


Entre os principais serviços estão os Centros de Cidadania LGBTQI, que fazem parte do programa estadual Rio Sem LGBTIfobia. Os espaços oferecem acolhimento, orientação social, psicológica e jurídica e encaminham as pessoas para outros serviços quando necessário. Atualmente, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos lista 19 unidades no estado.


Agulhas Negras, Quatis

Av. Euclides Alves Guimarães Cotia, 78 - Centro

(24) 99829-4877


Baixada I, Duque de Caxias

Rua Frei Fidélis, s/n - Centro

(21) 2775-9030 | (21) 2775-9049 | (21) 2775-9087 | (21) 97899-7444


Baixada II, Japeri

Estrada Ary Schiavo, s/n - Centro

(21) 9984-78061 | (21) 2334-9576


Baixada III, Nova Iguaçu

Rua Terezinha Pinto, 297 - Centro

(21) 2334-5570 | (21) 97224-3564


Baixada IV, Queimados

Rua Otília, 1495 - Centro

(21) 3698-6441 | (21) 97056-1982


Baixada Litorânea I e II,  Arraial do Cabo

Rua Bernardino Vianna, 108, sala 01

(22) 98866-0772


Capital I, Central do Brasil (Sede)

Prédio da Central do Brasil - Praça Cristiano Otoni, s/n, 7º andar - Centro, Rio de Janeiro

(21) 2334-9577 | (21) 2334-9578


Capital II - Santa Cruz

Av. Cesário de Melo, 13.735 - Santa Cruz, Rio de Janeiro

(21) 2333-4202 | (21) 99520-1447


Capital III -  Madureira

Rua Carvalho de Souza, 274, 2º andar, Madureira, Rio de Janeiro

(21) 98836-2397


Centro-Sul - Miguel Pereira

Av. Presidente John Kennedy, 157 - Centro

(24) 98121-8003


Médio Paraíba - Volta Redonda

Rua Antônio Barreiros, 232 -  Nossa Senhora das Graças

(24) 3511-3560 | (24) 99321-3445


Metropolitana I - Niterói

Rua Visconde de Morais, 119 - Ingá

(21) 99142-6341


Metropolitana II - Maricá

Rua Domício da Gama, 20 - Centro

(21) 97734-0490


Metropolitana III -  Tanguá

Rua Ari Reis, 114, Casa 2 - Centro

(21) 9389-7161


Norte Fluminense - Campos dos Goytacazes

Travessa Santo Elias, 252/292 - Parque Jardim Carioca

(22) 99231-6233


Noroeste Fluminense - Miracema

Praça Ary Parreiras, 25 - Solar da Dona Brasileira


Serrana I - Nova Friburgo

Av. Alberto Braune, 223 - Centro

(22) 2523-7907


Serrana II - Petrópolis

Rua Dom Pedro, 340, fundos - Centro

(24) 2019-4856


Vale do Paraíba - Barra do Piraí

Praça Heitor do Vale, 50, 1º andar - Centro

(24) 99299-3819



Serviços de saúde


Além dos Centro de Cidadania, há serviços voltados especificamente à saúde da população LGBTQIAPN+:


Ambulatório Municipal Especializado em Saúde LGBTQIA+, Petrópolis

Oferece atendimento multiprofissional e acolhimento.

Rua Sete de Abril, 374, 2º andar, Centro. 

Telefone: (24) 2248-1249.


Serviço Ambulatorial de Acolhimento à População LGBTQIAPN+ (SAAP), Campo dos Goytacazes

Funciona no Centro de Escola Saúde de Custodópolis, em Guarus, com atendimento multiprofissional.  Não há telefone específico do serviço divulgado em fonte oficial.


Serviço Identidade - Transdiversidade/UERJ, Rio de Janeiro

O serviço é voltado a pessoas trans e travestis, e integra a rede pública universitária.

Policlínica Universitária Piquet Carneiro

Av. Marechal Rondon, 381, São Francisco Xavier.



Organizações da sociedade civil


A rede também conta com organizações da sociedade civil que atuam em diferentes frentes, como defesa de direitos, saúde, prevenção e combate à LGBTfobia e atuação comunitária:


Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, Rio de Janeiro

Atua na defesa de direitos, cidadania e enfrentamento à LGBTfobia.

Rua da Carioca, 45, Centro. 

Telefone: (21) 2215-0844.


Grupo Conexão G de Cidadania LGBT de Favelas, Complexo da Maré, Rio de Janeiro

Atua na promoção e defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+ de favelas, com ações nas áreas de direitos humanos, saúde, educação e segurança pública.

Rua Sargento Silva Nunes, 1012, Complexo da Maré.


Grupo Pela Vidda, Rio de Janeiro

Atua principalmente na prevenção e no cuidado relacionados ao HIV/Aids, além da defesa de direitos e apoio a pessoas vivendo com HIV/Aids.

Av. Rio Branco, 135, salas 709 a 713, Centro.

Telefones: (21) 2518-3993 e (21) 2518-1997.



Acolhimento institucional 


Para pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade que precisam de acolhimento institucional, também existem iniciativas específicas. Entre elas estão a Casa Dulce Seixas, em Nova Iguaçu; a Casa Nem, ligada ao Grupo TransRevolução, no Rio de Janeiro; e a Casa Resistências, na Maré. 


As três fazem parte das iniciativas apoiadas pelo programa federal Acolher+, voltado ao fortalecimento de casas de acolhimento para pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade e violência. Como os espaços podem ter regras próprias e informações de endereço que não são divulgadas publicamente, é importante confirmar diretamente com cada organização as formas de acesso e disponibilidade.


Em caso de violência ou discriminação 


O Disque Cidadania e Direitos Humanos (Rio Sem LGBTIfobia)  é um dos principais canais estaduais para quem precisa de orientação, acolhimento ou encaminhamento diante de situações de discriminação, violência ou outras violações de direitos. 


Telefone: 0800 023 4567.

WhatsApp: (21) 97706-2831.


Também é possível denunciar violações de direitos humanos em todo o país pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia.

 
 
 

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